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Sim, é bacana receber flores, mensagens de parabéns, comemorar. Mas a verdade é que pouco se avançou na conquista da tão sonhada igualdade de direitos, motivo pelo qual o Dia Internacional da Mulher foi criado.

História
Existem algumas divergências sobre a origem do Dia Internacional da Mulher. A mais conhecida diz que foi criado em homenagem a 129 operárias que lutavam por melhorias das suas condições de trabalho em uma fábrica têxtil de New York, em 1857, e foram reprimidas com violência, morrendo carbonizadas. Não existe comprovação histórica deste fato.
Entretanto, um fato similar ocorreu em 1911 quando 125 mulheres e 21 homens morreram em um incêndio na fábrica de tecidos Triangle, em Nova York. A princípio, o incêndio foi acidental, mas os operários morreram porque estavam trancados, prática comum por parte dos proprietários das indústrias para impedir motins e greves naquela época.
Antes disso, Clara Zetkin, membro do Partido Socialista Alemão, já havia proposto, embora sem data específica, a criação de um Dia Internacional da Mulher na II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhagen, em 1910.
Vários protestos e greves do movimento feminista ocorriam na Europa e nos Estados Unidos desde a segunda metade do século XIX.
Em 8 de março de 1917, trabalhadoras russas do setor de tecelagem entraram em greve e contaram com a adesão dos operários do setor de metalurgia. Este evento, assim como o incêndio na Triangle, também acontecido no mês de março (embora em época e local diferentes), tornaram-se símbolos da luta das mulheres por melhores condições de trabalho. Em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional com os princípios de igualdade entre homens e mulheres e, em 1977, reconheceu oficialmente o 8 de março como Dia Internacional da Mulher.

Estatísticas hoje
Apesar das grandes conquistas obtidas pelas pioneiras do movimento feminista, a realidade hoje, 100 anos após o incêndio na Triangle, ainda está muito longe de ser a ideal. No Brasil, apenas 37% dos cargos de direção e gerência nas grandes empresas são ocupados por mulheres, sendo que apenas 10% delas estão no topo dos comitês executivos. Como se não bastasse a baixa representatividade nesses cargos, os salários dessas mulheres também são, em média, 68% menores que dos homens nas mesmas funções e cargos, mesmo tendo escolaridade maior. Fora do Brasil não é muito diferente. Nos EUA, apenas uma mulher figura entre 4 CEOs das grandes empresas. Na América Latina temos países onde as estatísticas são ainda mais desfavoráveis que no Brasil.
Segundo publicação de hoje do jornal El Pais, de Madri, “169 anos é o tempo que falta para que se alcance a igualdade econômica entre homens e mulheres, uma das variáveis mais mensuráveis do desequilíbrio de gênero.” Quando vamos além da realidade econômica e das condições de trabalho, o panorama parece ainda mais alarmante: a cada 10 minutos uma mulher é assassinada por seu companheiro e uma de cada três sofreu uma agressão sexual. Existem, ainda, países que impedem que mulheres casadas tenham passaporte.

Manifestação
Diante de tudo isso, em diversas cidades do mundo estão acontecendo hoje greves e manifestações pelo Dia Internacional da Mulher. Em Curitiba, está agendada uma passeata cuja concentração se inicia às 17 horas na Praça Santos Andrade.

Escrito por Adriana Lopes